segunda-feira, 3 de março de 2014

Amor possessivo: medo, ciúmes e angústia em perder o companheiro

O amor em demasia pode se tornar uma obsessão, se agravando para uma grave doença
 Reprodução

O amor em demasia pode se tornar uma obsessão, se agravando para uma grave doença

Amar e ser amado é um dos principais objetivos de vida de qualquer pessoa. Neste quadro, a felicidade parece completa, e os amantes se sentem as pessoas mais poderosas do mundo. Mas em muitos casos, o amor em demasia pode se tornar uma obsessão, se agravando para uma grave doença.
Nos últimos dias, tem sido noticiados nos principais veículos de comunicação, casos de romances que não deram certo e que um dos companheiros, por se sentirem enciúmados, e tomados pela possessividade e egoísmo, agridem, são agredidos, tentaram se matar, ou mataram seus companheiros. Estes são casos típicos de pessoas que se dizem mais amantes que amadas, e que não sabem viver sem o outro.
Segundo a psicóloga Luciane Mina, a pessoa que coloca o outro em primeiro lugar em sua vida necessita de um tratamento psicológico. O principal, segundo ela, é levantar a autoestima do paciente, e fazer com que ele enxergue suas qualidades e se coloque em primeiro lugar na relação.
"Quando a pessoa não se sente mais confortável em um relacionamento, algo precisa ser mudado, e vale a pena conversar com o companheiro sobre os problemas. Quem não sabe viver sem o companheiro, não consegue se imaginar sem esta pessoa, faz tudo por ela, e é capaz de cometer loucuras para não perder esta pessoa, precisa procurar um tratamento. O importante é amar e ser amado, trocar experiências, mas também, saber respeitar o espaço do outro", ressaltou Luciane.
Com uma experiência amorosa conturbada e repleta de sofrimentos e agressões, a jornalista Karen (nome fictício), 25 anos, conheceu um ex-namorado, se apaixonou, mas nunca se sentiu realmente amada. A relação foi tão conturbada que ela esqueceu de viver sua vida, se entregando a uma pessoa que não a merecia, e que a agredia verbalmente e fisicamente. Seu medo de perder o então companheiro a fez cometer diversas loucuras.
"Conheci esta pessoa no trabalho e na faculdade. A princípio ele tinha uma namorada e mesmo assim comecei a me relacionar com ele. Fazia de tudo por ele, tudo o que ele me pedia eu dava sempre um jeito de fazer. Além disso, lhe dava vários presentes para satisfazer suas vontades. Este relacionamento durou 4 anos, e nesse meio tempo ele terminou um namoro, e eu pensei que ele ia ficar comigo, mas não, ele arrumou outra namorada. Cheguei a ser agredida por ele várias vezes, verbalmente e fisicamente. Uma vez cheguei a ligar de madrugada para uma amiga lhe pedindo ajuda, porque não agüentava mais tanto sofrimento. Foi neste momento que resolvi fazer terapia. Depois de muito sofrimento comecei um outro relacionamento, e quando ele descobriu que eu estava com uma nova pessoa, ele armou um grande escândalo na rua, chorando, e dizendo que me amava e que não podia viver sem mim. Fiquei muito mexida com aquilo e voltei para ele, mas ele não mudou. Continuou com uma namorada fixa, e eu, continuei com o sofrimento e com o tratamento de terapia, porque tive depressão. Atualmente me sinto recuperada, e continuo com minhas sessões de terapia. Tenho um namorado maravilhoso, com quem penso em me casar e ter filhos, e que me respeita muito. Enfim, hoje sou feliz e me sinto realizada, mas ainda guardo estes sofrimentos como experiências que nunca mais quero vivenciar", relatou a jornalista.
Este é um relato de uma pessoa que como muitas, já vivenciaram problemas no amor, mas que soube, através de tratamento psicológico, superar seus obstáculos. Para a psicóloga Luciane Mina, a frase dita nos relacionamentos deve ser "nós nos amamos", e não "eu amo".
"O ciúme e a possessividade são sentimentos egoístas, que não devem estar presentes em um relacionamento. Quando um relacionamento não está mais dando certo, é preciso estar ciente de que o término é fundamental para que ambos possam procurar por sua felicidade ao lado de uma outra pessoa que os completem. Quando um dos companheiros não quer terminar, e tenta a todo custo manter a relação, cometendo loucuras das mais terríveis, este é um caso de tratamento", concluiu a psicóloga.
Outra pessoa que também sofreu por tentar terminar um relacionamento conturbado foi a jornalista Renata (nome fictício), que por meses foi ameaçada de morte pelo então companheiro.
"O relacionamento durou cerca de um ano e meio. No início tudo era normal, como em qualquer relacionamento, mas após um ano, ele começou a se revelar uma pessoa agressiva. Não podia falar com ninguém, sair com minhas amigas, nem mesmo visitar meus parentes. Fui ameaçada de morte várias vezes, quando tentava terminar com ele, que ainda ameaçava meus familiares. Com medo, ainda aguentei um tempo, mas depois acionei meu pai, e ele ficou com medo. Terminei, mas ele ainda chegou a quebrar a porta da casa da minha mãe para me intimidar. Hoje, Graças a Deus não tenho mais contato com ele", ressaltou.
O importante nestes casos, e em muitos que devem estar sendo vivenciados, é que o diálogo esteja presente e que ambos tentem, em harmonia, superar seus problemas, e viver ou juntos, ou separados, de forma cordial e respeitosa. O amor deve ser vivido por ambos, de forma única, hamoniosa e racional.   

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