Gente este tema é interessantíssimo !!!!
É de HÉLIO JOSÉ GUILHARDI (Instituto de Análise de Comportamento)
Os três termos do título referem se a sentimentos. Com certeza, qualquer pai ou mãe
desejará que seu filho tenha auto-estima, seja autoconfiante, tenha responsabilidade,
pois são todos sentimentos associados à maturidade e à felicidade de uma pessoa. Ter
todas essas qualidades significa estar harmoniosamente integrado ao contexto de vida
(Os três sub-títulos que se seguem são conceituais e podem ser pulados sem prejuízo da
compreensão do texto. O leitor interessado apenas na parte prática do tema pode
começar pelo sub-título Auto-estima).
A natureza dos sentimentos
Muita gente imagina que os sentimentos são fenômenos mentais, abstratos, que ficam armazenados dentro de algum lugar oculto da mente humana: quando alguma
coisa externa os evoca, eles saem de seu reduto e se expressam publicamente. Assim,
correspondente. Assim, por exemplo, quando uma pessoa está ansiosa, ela tem
alterações no ritmo de batimentos cardíacos, na freqüência respiratória, na pressão sangüínea etc. Da mesma forma, na alegria há mudanças no funcionamento do corpo: os
batimentos cardíacos, a sudorese, o ritmo respiratório etc. também se alteram.
Os sentimentos incluem, além das manifestações do funcionamento interno do
corpo acima exemplificadas chamadas de respostas respondentes ou autonômicas, outras
manifestações da pessoa, chamadas de operantes ou voluntárias, tais como: falar,
gesticular, gritar, bater, aplaudir, abraçar, escrever poesias, telefonar, enviar bilhetes,
correr, empurrar etc. Há componentes corporais respondentes e operantes nos
sentimentos e nas emoções. O corpo age, o corpo expressa, o corpo fala e, assim, ele
manifesta os sentimentos.
A comunidade social e verbal (pais, professores, amigos etc.) em que a pessoa está
inserida é quem ensina seus membros (filhos, alunos, amigos etc.) a usar palavras para
se referir a esses estados ou manifestações corporais, e tais palavras são os nomes de
sentimentos: alegria, raiva, ansiedade, medo, auto-estima, responsabilidade são
exemplos ilustrativos. Assim, se uma criança corre atrás do seu cachorro, dá-lhe um
chute, fica vermelha, chama-o de “feio”, porque o cachorro não quer atender a uma
ordem sua, a mãe, que testemunha essa cena, pode dizer para o filho: “Por que você está
com raiva do Pitoco, ele está cansado, coitadinho.” A mãe, desta maneira, usou a
palavra “raiva” para nomear todas essas manifestações do filho. É dessa forma que a
criança aprende o que é raiva. O mesmo procedimento ensinaria uma criança a nomear
tristeza, saudades etc..
Por outro lado, uma mãe que observa seu filho correndo atrás de uma bola,
chutando essa bola, dizendo uns palavrões porque a bola bateu na trave, não diria que
seu filho está com raiva da bola, mas diria que ele tem paixão por futebol.
Comparando o cachorro com a bola, descobrimos então mais um elemento essencial
para a compreensão da natureza do sentimento: há necessidade de conhecer o contexto
em relação a que a pessoa se comporta para então, e só então, ser possível nomear o
sentimento. Se os pais observarem, exclusivamente, as reações do seu filho, quer os
respondentes (batimentos cardíacos, rubor da face) quer os operantes (o que ela faz e
diz), sem conhecerem o contexto em que tais reações ocorrem, não é possível dar nomes
ao sentimento com segurança. Diante do exposto, os sentimentos de auto-estima,
de autoconfiança e de responsabilidade não são manifestações da mente do indivíduo, mas são estados
corporais associados com eventos ambientais sociais ou físicos que os desencadeiam.
Assim, será comum ouvir das pessoas frases sobre seu corpo relacionadas com os
sentimentos apontados: “Sinto-me travado, não consigo seguir uma direção” (excesso
de racionalidade); “Estou inquieto, não consigo dormir, penso o tempo todo em meus
compromissos” (excesso de responsabilidade); “Sempre que me perguntam alguma coisa
acho que vou errar, fico suando nas mãos, fico vermelho, começo a gaguejar” (falta de
autoconfiança); “Sinto-me incomodado quando nego alguma coisa para alguém; é um
desconforto que não sei explicar; prefiro concordar, mesmo não achando que é o certo,
porque aí me alivio” (baixa auto-estima). Não há sentimento sem manifestação corporal,
no entanto, as pessoas precisam ser ensinadas pelo meio social que as cerca (pais,
professores, amigos etc.) a detectar os sinais do corpo. A discriminação de tais sinais não
ocorre espontaneamente; tem que ser aprendida.
Conclusão sobre a natureza dos sentimentos. Os sentimentos são manifestações
corporais que ocorrem na interação entre a pessoa e seu ambiente físico ou social e que
recebem um nome arbitrário, convencionado pelo grupo social com que a pessoa vive.
Nenhum comentário:
Postar um comentário