segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Elimine as desculpas paralisantes: Movimente-se por aquilo que quer


Por vezes quando o infortúnio, dificuldade e problemas nos assombram a vida, os motivos são mais que suficientes para arranjarmos desculpas acerca da ausência de motivação para levarmos  a vida para a frente. Acredito profundamente que tenhamos que passar por um período de desânimo, ou mesmo de sentimento de injustiça. O impacto de alguns acontecimentos pode ser tão devastador que vislumbrar um enquadramento para o sucedido é uma miragem. Mas, acredito igualmente que ficarmos presos a esses acontecimentos e usá-los como “desculpas”, provavelmente nenhum valor acrescentado trás para  a resolução do problema ou minimização da dor emocional.

CUIDADO COM O VÍCIO NA MOTIVAÇÃO

Seja porque não conseguiu a promoção desejada, não foi correspondido no seu amor, ou a sua vida foi interpelada por algum problema físico ou emocional, o mais certo é que a sua motivação tenha sido afetada para encarar a vida com otimismo e esperança. Todos nós precisamos de motivação para derrubar ou ultrapassar os problemas da vida. Mas às vezes ficamos viciados e demasiado dependentes da nossa motivação, correndo o risco de nos tornarmos incapazes de fazer seja o que for sem estarmos motivados. Claro que é bom estarmos motivados face a algo. No entanto, a nossa motivação não é constante e permanente, ela sofre abalos, investidas e contratempos. Perante tal cenário, se apenas fizermos coisas quando estamos motivados, ficamos à sua mercê, e inevitavelmente paralisamos a nossa vida.
Às vezes, fazemos autosabotagem a nós mesmos, e um grande contributo para isso é a ausência de motivação. Deliberadamente justificamos a nossa falta de motivação com as desculpas insalubres dos acontecimento negativos que vivemos ou das coisas que necessitam de um esforço extra para serem realizadas.  Quando você tem que acordar cedo pela manhã para alguma reunião importante no escritório ou quando você tem que estudar muito para os exames, mas não tem vontade para fazê-lo, é basicamente a falta de motivação que faz emergir o sentimento de dificuldade e paralisia da vontade. As pessoas dão várias desculpas para esse tipo de comportamento, mas na verdade a proteção do seu ego impede-as de aceitar que tornaram-se dependentes (viciadas) nos fatores motivacionais para a realização do que desejam ou que querem realizar.
ser motivado
No artigo, autoregulação: para sentir-se melhor foque-se no mais importantes, abordei a questão de quando percebemos que alguns dos nossos sentimentos negativos atrapalham o nosso bem-estar, devemos orientar os nossos objetivos, realizações e desejos pelos valores, por aquilo a que damos significado na vida, ou no presente momento. No que diz respeito à ausência de motivação para fazermos coisas, suportado por desculpas infundadas, o princípio é o mesmo, devemos focar-nos naquilo que queremos e nos serve, não ficando à mercê de termos ou não motivação para fazermos o que tem de ser feito.
Atenção: Apesar de eu estar a apresentar a ideia de que não devemos “viciar-nos” na motivação, no sentido de dependermos única e exclusivamente dela para irmos ao encontro dos nossos objetivos, isso não é sinónimo de não necessitarmos de motivar-nos ou trabalhar e potenciar a motivação. Pelo contrário, eu sou apologista e defendo que devemos promover a nossa motivação face aos nossos objetivos ou atitude perante a vida. Mas, o que pretendo transmitir neste artigo é que quando você se sentir desmotivado, com falta de energia e impeto para realizar algo que necessita, julga importante ou é fundamental para o bom desenvolvimento da sua vida, deve desapegar-se da ideia de que só com motivação é possível fazer as coisas. Puro engano, você pode fazer aquilo que pretende, simplesmente porque quer, mesmo que lhe seja difícil. Ou então optar por promover a sua motivação, tal como explico no artigo: Dicas e estratégias para potenciar a sua motivação em qualquer circunstância.

COMO NÃO DEPENDER DE FORMA TÓXICA DA MOTIVAÇÃO?

Para uma resposta esclarecedora, temos primeiro que perceber como se implementa a desmotivação (ausência de motivação). A desmotivação para a execução ou desempenho de algo começa com lapsos simples na realização de tarefas diárias e passa a afetar todos os outros aspetos da vida. Ou, de forma mais drástica (morte de um ente querido, catástrofe, doença, acidente) quando subitamente a vida nos inflige uma perda ou dor inestimável. Um acumular de simples falhas para concluir algumas tarefas vai cortando a motivação para fazê-lo na próxima vez. Ou no caso drástico, instala-se uma perda de sentido para realizar outras coisas que temporariamente são percebidas como insignificantes perante a tremenda perda sucedida.  Aos poucos, a sua paralisia da vontade sentida como desmotivação começa a diminuir a suaautoestima, retira-lhe foco e capacidade, conduzindo-o à falha e ao erro em cada tentativa de realização da tarefa, devido à falta de confiança instalada. Ou no caso drástico, por sentir que provavelmente não conseguirá voltar a ter alegria e propósito na sua vida.
O que você pode fazer é identificar as coisas que estão constantemente a desencorajá-lo. Uma falha para completar uma tarefa pode ser resultado de um planejamento inadequado, recursos insuficientes ou necessidade de melhorar uma competência ou habilidade. Comece a olhar para as coisas de uma perspectiva diferente. Nem todas as coisas ruins que lhe  acontecem são necessariamente culpa sua, ou de terceiros ou até mesmo de um mundo que possa interpretar como injusto. Tente identificar as tarefas que você normalmente não conseguiu realizar durante os últimos dias e descubra a razão, apesar da sua incapacidade. Você pode descobrir o problema real analisando a dificuldade da tarefa.
Na situação drástica (morte de um ente querido, catástrofe, doença, acidente), tente identificar a razão pela qual não vê sentido em voltar a reerguer-se, ou a perspetivar novos planos.  Avalie o impacto do sentimento de perda que está paralisando a sua vontade. Usualmente existe uma proporção inversa no  grau de motivação em relação ao problema sentido. Ou seja, quando mais sentimos algo como muito significativo e bom, maior é o sentimento de perda e dor emocional. Quer dizer que o nosso sentimento de perda está associado a uma coisa ou a alguém que nos era muito querido. É como se de uma forma cortante a tristeza estivesse ligada à enorme felicidade que retirávamos da situação ou do que vivíamos com essa pessoa. Num estado de abatimento é normal que não sinta força de vontade para encarar a vida. Pode instalar-se a tristeza profunda e sentir-se deprimido. Perante este cenário o que pode ser feito?

MOVIMENTE-SE POR AQUILO QUE QUER

Quando você descobrir que a sua desmotivação não tem a ver com um traço da sua personalidade ou porque não tem vontade para fazer algo, mas porque provavelmente aprendeu a protejer-se para não sentir o peso da falha ou da sua dor emocional, fica no caminho de ter de volta a capacidade de fazer as coisas que abandonou.
Há vantagens e desvantagens de sentir-se desmotivado na vida. Você pode não acreditar, mas existem algumas vantagens de sentir-se sem motivação para a ação. Às vezes a vida ou as ações imaginadas não oferecem benefícios suficientes para impeli-lo a lutar e avançar com a sua vida. Mas se você parar de viver o dia-a-dia e deixar a miséria tomar conta de você, certamente irá contribuir ainda mais para piorar o estado em que se encontra. É isso que você quer? Esta é uma pergunta que pode ser ingrata responder. Mas arrisco a dizer que aquilo que quer é voltar a sentir-se bem e capaz de começar a fazer coisas das quais retire alguma forma de prazer e satisfação.
Então como posso fazer algo sem motivação para isso?
Pode fazer esse “algo”, sem a motivação para isso. Pode fazer esse algo apenas suportado pela ideia que quer recuperar a sua vida e sentir-se novamente bem pouco pouco. Deve propor-se a fazer coisas pela consciência que tem de ultrapassar o momento menos bom que está a atravessar. E que não pode esperar que a vontade lhe bata à porta, dado que os seus sentimentos de incapacidade de momento inibem qualquer vontade de fazer o quer que seja.
Dica: Apenas a ideia de que quer melhorar e ultrapassar o que está a enfrentar, pode orientá-lo e lhe serve. Tudo o resto funcionará como desculpas paralisantes e insalubres, ainda que com toda a legitimidade.
motivação ou ausência de motivação faz-se sentir na forma de um sentimento de capacidade ou incapacidade. Sentirmos força de vontade para fazer algo, ou ao invés, sentirmos preguiça, inação, falta de energia, abatimento, condiciona-nos os cursos de ação e os objetivos de vida. Na posse de sentimentos incapacitantes, corremos o risco de cair num ciclo de negatividade e começamos pouco a pouco a deixar de sentir significado em grande parte das coisas que nos davam alegria, satisfação, prazer e bem-estar. Se repetidamente, dia após dia nos sentirmos deprimidos e desmotivados, certamente acabaremos por ser afetados pela depressão. A depressão alimenta-se da paralisia da vontade e da consequente desmotivação, reforçando o ciclo de negatividade em que a pessoa se possa encontrar.
motivação

O processo passo a passo na prática:

Passo 1: Inevitavelmente os nossos sentimentos, influenciam o diálogo interno. Se está desmotivado, coloque os sentimentos  negativos que tem à prova, contestando-os.  Confronte esses sentimentos negativos, comparativamente aquilo que quer sentir ou alcançar.
Passo 2: Questione-se. Nesse estado de abatimento tem força de vontade para fazer aquilo que precisa de ser feito? Arrisco a dizer que não tem! Mas se não tem, quer continuar a não ter? Respondo por si, claro que não.
Passo 3: Num cenário de abatimento o que pode ser feito? Você deve propor-se a fazer coisas, em que o resultado das mesmas façam-no sentir-se bem. Por exemplo, se está deprimido, faça coisas que ainda se lembra que gosta. Se tem dificuldade em levantar-se para ir trabalhar, e quer ir trabalhar, perceba o que pode fazer ou imaginar que valoriza. Se está ansioso, e isso dificulta propor-se a fazer algo, arranje forma de aliviar a ansiedade e perceba como pode enfrentar a tarefa ou situação.
Este é o processo: Não deve estar á espera de sentir-se bem para iniciar algo que quer fazer ou deseja fazer. Mas sim o inverso, fazer aquilo que tem de ser feito, para posteriormente sentir-se bem. Por outras palavras: Deve movimentar-se por aquilo que quer, e desapegar-se das desculpas paralisantes que o impedem de fazer aquilo que tem de ser feito para voltar a sentir-se bem e perspetivar significado na sua vida.
Para aprofundar o assunto, leia:
Em alguns artigos já publicados na Escola Psicologia, fui expressando a ideia de que o nosso bem-estar, felicidadeequilíbrio emocional, objetivos, alegria, estabelecem uma forte relação com o lado oposto destes estados, como por exemplo, tristeza, ansiedade, depressão, sentimentos negativos. Alguns investigadores apelidam o processo de desenvolvimento pessoal perante a dificuldade, catástrofe, trauma e adversidade de: Crescimento Pós-Traumático.
Crescimento Pós-Traumático só é possível quando a pessoa consegue perspetivar um conjunto de ações, decisões e possibilidades de caminhar em frente na sua vida baseado naquilo que quer atingir, ou pretende para si mesmo. Expliquei de forma mais aprofundada este assunto, nos artigos: O lado oculto da felicidade e Transforme a crise numa oportunidade para a sua vida.
Cuidado com seus pensamentos, pois eles tornam-se em palavras.
Cuidado com as suas palavras, pois elas tornam-se em ações.
Preste atenção às suas ações, para que se tornem em hábitos.
Preste atenção aos seus hábitos, pois eles tornam-se no seu caráter.
Preste atenção ao seu caráter, já que se torna no seu destino

TALVEZ A CULPA SEJA MINHA

“Talvez a culpa seja minha.
Talvez eu tenha-te levado a acreditar que era fácil, quando não era.
Talvez eu te tenha feito pensar que o meu destaque começou no lançamento livre, e não no ginásio.
Talvez eu te tenha feito pensar que cada cesto que fiz, fez vencer o jogo.
Que o meu jogo foi baseado em músculo, e não no ímpeto.
Talvez a culpa seja minha, e você não reparou que a falha deu-me força, e que a minha dor era a minha motivação.
Talvez eu te tenha levado a acreditar que o basquetebol era um dom dado por Deus, e não algo que eu trabalhava para … todos os dias da minha vida.
Talvez eu tenha destruído o jogo … ou talvez, você esteja a inventar desculpas. ” – Michael Jordan

Espero que tenham gostado, abraço. 

34 questões para um relacionamento saudável


Algumas das melhores coisas da vida – sucesso, felicidade, amor (não necessariamente por esta ordem) – dependerão da nossa capacidade de criar e manter relacionamentos satisfatórios. A maioria de nós começa muito bem no inicio, com grande energia, motivação e empenho. Então qual a razão pela qual os relacionamentos por vezes se tornam tão destrutivos, incapacitantes ao ponto de nos conduzirem à infelicidade?
Muitas vezes, são problemas de relacionamento devido a um desajuste nas competências da inteligência emocional. Felizmente, nunca é tarde demais para desenvolver essas habilidades e aumentar a eficácia da inteligência emocional.
As flutuações na satisfação da relação também são influenciados por outros factores, incluindo o nosso próprio nível de cansaço, habilidades em comunicação, resolução de problemas e gestão de stress, a nossa capacidade de lidar com pressões externas, tais como trabalho, família, finanças e os nossos próprios sonhos, metas e expectativas para a nossa vida e nosso relacionamento.As situações podem ser inúmeras, mas na grande maioria das vezes aquilo que falha nas relações é o desenvolvimento e crescimento de uma linha de orientação face a um objectivo, (sentimental ou outro) para o qual se queira caminhar, e a partir daí tal qual um atleta quando inicia uma época desportiva e pretende melhorar um conjunto de capacidades físicas, ou uma equipa que pretende melhorar a técnica e táctica do seu jogo, assim também deverá fazer o casal. Deverá empenhar-se em identificar os seus pontos fortes e fracos, face ao seu objectivo a alcançar.
Na grande maioria das vezes os relacionamentos não são bem sucedidos porque não são traçados objectivos de relacionamento. Para que um relacionamento possa satisfazer aqueles que nele intervêm, devem estabelecer metas claras e específicas. A maioria das pessoas entra nos relacionamentos com uma vaga ideia do que querem. Quando questionadas, muitas vezes são incapazes de especificar as suas metas para um relacionamento a longo prazo ou definir o que para ela é amor ou o que representa amar alguém.

ESTABELECER AS METAS

Os objectivos podem ser declarados ou colocados por escrito, mas eles devem ser acordadas pelos parceiros no início do relacionamento. Os objectivos de relacionamento são ditados pelo comportamento. No entanto, para um relacionamento aumentar a probabilidade de vir a ser bem sucedido, as metas estabelecidas devem ser apenas aquelas em que ambos os parceiros possam concordar. O objectivo da relação deve ficar bem clarificado e explicito, e ser revisto com alguma regularidade face às necessidades sentidas. Durante a revisão, as metas podem ser modificadas face aos resultados/objectivos que pretendam vir a alcançar. As metas de relacionamento devem ser estabelecidas a longo prazo, mas devem ser flexíveis o suficiente para dar aos parceiros a liberdade suficiente para serem satisfatórias, exequíveis e fáceis de alcançar.
O estabelecimento das metas deve ser desenvolvido para tratar as questões-chave envolvidas no relacionamento, mas podem abranger qualquer área do comportamento humano. A fim de melhor saber como e quais as metas que devem ser estabelecidas, você tem que perguntar a si mesmo uma série de questões para se conhecer a si mesmo e ao seu parceiro.
Proponho o preenchimento de um pequeno questionário breve.

QUESTIONÁRIO DE ESTABELECIMENTO DE METAS

  • 1. Como é que podemos melhorar o apoio que damos um ao outro?
  • 2. Como é que iremos comunicar um com o outro diariamente?
  • 3. Qual será o grau de dependência face ao outro, sendo saudável?
  • 4. Como é que a nossa intimidade mútua pode contribuir para impulsionar o relacionamento?
  • 5. Como é que vamos garantir que respeitamos os direitos um do outro no relacionamento?
  • 6. Como é que nos vamos ajudar um ao outro para crescer no relacionamento?
  • 7. Como é que podemos manter a diversão na nossa relação?
  • 8. Como é que vamos incluir os outros na nossa relação, sem perder o apoio um do outro?
  • 9. Como devemos abordar os problemas no nosso relacionamento?
  • 10. Como é que vamos resolver os problemas?
  • 11. Como é que vamos lidar com as várias diferenças de opinião?
  • 12. Como é que vamos lidar com a irritação um do outro?
  • 13. Como é que vamos lidar com as brigas e trazê-las para uma resolução saudável?
  • 14. Até que ponto vamos procurar ajuda se a nossa zanga ficar fora da nossa capacidade de resolução, por exemplo, vamos procurar aconselhamento juntos?
  • 15. Será que vamos concordar em discordar?
  • 16. Como podemos garantir um crescimento mútuo na relação?
  • 17. Até que ponto estamos receptivos a tomarmos responsabilidade conjunta e individual para a nossa relação?
  • 18. Como podemos garantir que a nossa individualidade não se perde neste relacionamento?
  • 19. Até que ponto estamos receptivos para sermos assertivos no nosso relacionamento?
  • 20. Como podemos usar, as nossas personalidades individuais para nos ajudarmos um ao outro e ao crescimento do nosso relacionamento?
  • 21. Que medidas é que iremos tomar se um de nós ou ambos começar a sentir-se sufocado pela relação?
  • 22. Quais os passos que estamos dispostos a dar em caso de um de nós ou ambos termos a necessidade de assistência à saúde mental?
  • 23. Como vamos promover a saúde física do outro e dar apoio um ao outro?
  • 24. Que medidas podemos ter para lidar com o ciúme, o sentimento de competição, ou ressentimento em relação um ao outro?
  • 25. Como vamos agir na hora de fazer todas as coisas que queremos realizar?
  • 26. Como é que vamos organizar ao nossos horários para que possamos prosseguir com os nossos interesses individuais e ainda assim passar bons momentos juntos?
  • 27. Até que ponto somos livres para perseguir os nossos interesses distintos?
  • 28. Até que ponto estamos comprometidos na criação de metas de relacionamento a longo prazo e estabelecer objectivos de curto prazo para atingir as nossas metas?
  • 29. Até que ponto estamos comprometidos para dar apoio ao outro quando necessário e assim manter o nosso relacionamento no bom caminho?
  • 30. Como é que podemos estruturar formas para conseguirmos “executar” as tarefas necessárias à manutenção e promoção do nosso relacionamento?
  • 31. Como é que podemos delegar as tarefas de manutenção e promoção do relacionamento de modo a que nenhum de nós sinta que está a fazer demais?
  • 32. Que lugar irão ter a religião, passatempos, desporto e outras actividades do nosso interesse no nosso relacionamento?
  • 33. Quão importantes são as coisas anteriores para o nosso relacionamento?
  • 34. conseguimos apoiar as nossas diferenças?
Talvez pense que sejam demasiadas perguntas, mas se formos realistas, conseguimos concluir que todas as questões são pertinentes e necessárias. Se não podemos ou não queremos responder a estas questões, como poderemos querer iniciar, e/ou desenvolver um relacionamento sério?

domingo, 26 de agosto de 2012

Opção ou orientação sexual?

Quando uma criança nasce, sua identidade sexual será reconhecida pelos caracteres sexuais primários. Se essa criança irá confirmar ou não sua identidade sexual, dependerá da complementação de caracteres secundários que são os testículos nos meninos e ovário nas meninas e também de um processo mais complexo – o sexo psicológico – que se desenvolverá com o passar dos anos. Se no sentido fisiológico, as pessoas podem ter sua identidade sexual definida a partir da presença de órgãos sexuais característicos de cada gênero, o mesmo não ocorre com o sexo psicológico. Pensando nisso, a sexualidade se apresenta numa escala variante que vai desde um comportamento extremamente feminino numa mulher, passando por mulheres pouco femininas, mulheres masculinizadas até homossexuais femininas; da mesma forma podemos encontrar homens pouco masculinos, homens feminilizados e homossexuais masculinos.  

O termo orientação sexual é considerado mais apropriado do que opção sexual ou preferência sexual. Mas por quê ? Estudos recentes realizados dentro da sexualidade mostram que ainda na infância, a tendência sexual começa a se desenhar – motivo este o termo opção sexual é inadequado, uma vez que a tendência sexual começa a se manifestar mais ou menos aos sete anos de idade. Neste período a criança ainda não possui uma capacidade avaliativa e que possamos chamar de “escolha”. O que geralmente ocorre é que a criança nesta idade tenta reunir-se às crianças do sexo que irão se identificar psicologicamente e se este não estiver de acordo com a fisiologia, ela tende a ser discriminada pelas outras crianças.             

Um estudo sueco traz novos elementos para a discussão a respeito da base biológica da orientação sexual. A neurologista Ivanka Savic em Estocolmo observou que em resposta a um hormônio masculino, o cérebro de mulheres heterossexuais e de homens homossexuais responde de forma similar e da mesma forma há semelhanças na ativação de regiões cerebrais de homens heteros e mulheres homossexuais em resposta a um hormônio feminino. 
Mas afinal o que é orientação sexual ? Ela indica o gênero (masculino e feminino) que uma pessoa se sente preferencialmente atraída física e/ou emocionalmente. Essa orientação pode ser: assexual, bissexual, heterossexual, homossexual ou pansexual. A orientação sexual não-heterossual foi removida da lista de doenças mentais nos Estados Unidos em 1973 e do CID (Classificação Internacional de Doenças) em 1993.               

A assexualidade é a orientação sexual caracterizada pela indiferença à prática sexual, isto é, a pessoa assexual não sente atração nem pelo sexo oposto e nem pelo mesmo sexo que o seu. A assexualidade pode ser classificada como uma disfunção e não uma orientação sexual. Existe um desacordo a respeito se a assexualidade é uma orientação sexual legítima. Algumas pessoas argumentam que seria um distúrbio de hipoatividade sexual ou distúrbio da aversão sexual. Outras causas sugeridas incluem abuso sexual passado, repressão sexual, problemas hormonais e desenvolvimento tardio de atração. Muitas pessoas ditas assexuais negam tais diagnósticos e argumentam que como a assexualidade não traz angústia, não deveria ser classificada como um distúrbio.              

A bissexualidade se trata da atração física e emocional por pessoas tanto do mesmo sexo como do sexo oposto com níveis variantes de interesse por cada um, e à identidade correspondente a esta orientação sexual. Portanto, bissexual sente atração por ambos os sexos, servindo, portanto de um quase meio-termo entre o hetero e o homossexual. Uma equipe de psicólogos de Toronto e Chicago realizaram estudos que serve de apoio para aqueles que se declaram céticos sobre o fato da bissexualidade ser um tipo de orientação distinta e estável. Eles mediram diretamente os padrões de resposta a estímulos a imagens de homens e mulheres. Os homens que se diziam bissexuais mostraram-se muito mais sexualmente excitados diante de outros homens.  As pessoas que afirmam ser bissexuais são geralmente homossexuais, mas são ambivalentes sobre sua homossexualidade.            

Heterossexualidade refere-se à atração sexual e/ou romântica entre pessoas de sexos opostos, e é considerada a mais comum orientação sexual nos seres humanos. A heterossexualidade tem sido identificada como “a normal” ou “natural”, decorrendo diretamente da função biológica relacionada com o instinto reprodutor sendo tudo o resto “anormal” ou “anti-natura”.            
 
Homossexualidade é o atributo, a característica ou a qualidade daquele ser que é homossexual e define-se por atração física, emocional e estética entre seres do mesmo sexo com eventual inversão de papéis de gênero (homens e mulheres).  Como surgiu o termo homossexual ? Foi criado em 1869 pelo escritor e jornalista Karl-Maria Kertbeny, derivando do grego homos que significa “semelhante”. Em 1870, um texto de Westphal chamado “As sensações sexuais contrárias” definiu a homossexualidade em termos psiquiátricos como um desvio sexual, uma inversão do masculino e do feminino.  A partir de então, no ramo da sexologia, a homossexualidade foi descrita como uma das formas emblemáticas da degeneração.  Experiências em laboratórios com ratos fêmeas e com seres humanos  que receberam testosterona (hormônio sexual masculino) ainda em fase uterina, resultou que desde a primeira fase da vida, mostravam comportamento masculinos como gostos, brincadeiras mais agressivas além de sentirem-se mais atraídas por fêmeas. Geneticistas defendem a tese de que a homossexualidade tem determinação genética. Glenn Wilson e Quazi Rahman, investigadores na área da psicologia, concluem que há diferenças biológicas entre pessoas homossexuais e heterossexuais, e que estas não podem ser ignoradas.  Alegam também que alguns fetos do sexo masculino com pré disposição genética para a homossexualidade são incapazes de absorver corretamente a testosterona no seu processo de desenvolvimento, de modo que os circuitos neurocerebrais responsáveis pela atração pelo sexo oposto, ou nunca se desenvolveram ou o fazem de forma deficiente. Quanto à homossexualidade feminina, esses investigadores avançam com a hipótese de haver uma proteína no útero responsável pela atração dos fetos femininos contra a exposição excessiva a hormônios masculinos que não atuam suficientemente cedo no processo de desenvolvimento.             

Psicólogos e psicanalistas estão contrários a argumentações apenas biogenéticas sobre as causas da homossexualidade e consideram a percepção desta orientação sexual como um traço “apenas” geneticamente determinado incorreta, buscando antes explicações associadas ao meio e à educação dos indivíduos homossexuais. Psicólogos norte americanos desenvolveram pesquisas sobre a importância da formação intra familiar no homossexual.             

Pansexualidade é a orientação sexual, distinta da bissexualidade e caracterizada por atração estética, amor romântico e o desejo sexual por qualquer um, incluindo pessoas que não se encaixam na binária de gênero macho/fêmea implicado pela atração bissexual. Algumas vezes é descrito como a capacidade de amar uma pessoa de forma romântica, independente do gênero. Alguns pansexuais chegam a afirmar que o gênero e sexo não têm importância para eles. Algumas pessoas trans e intersexuais se descrevem como pansexuais, tendo uma percepção íntima que existem muitos níveis entre o masculino e o feminino. Contudo isso não deve ser visto como generalização, já que as pessoas trans podem se identificar como heteros, bissexuais ou homos baseado em sua identidade de gênero.             

Existem três termos: travesti transexual e transgênero que as pesquisas e estudos realizados dentro da sexualidade ainda não têm uma classificação definitiva.             
Travesti era originalmente alguém que se vestia com roupas do sexo oposto para se apresentarem em eventos de fundo artísticos. Mas, essa prática passou a designar o comportamento das drag queens e transformistas. Esse termo atualmente se refere às pessoas que apresentam sua identidade de gênero oposta ao sexo designado no nascimento, mas que não almeja se submeter à cirurgia de resignação sexual que nada mais é do que a mudança de sexo. As pessoas que se definem travestis podem se identificar como homossexuais, heterossexuais, bissexuais ou assexuais.             
 
Transexual é uma pessoa que possui uma identidade de gênero oposta ao sexo designado, mas o que difere do travesti é que o transexual tanto homem quanto mulher, fazem ou pretendem fazer uma transição do seu sexo designado no nascimento com o sexo oposto. A explicação estereotipada é de uma mulher presa em um corpo masculino ou vice versa.  Transexualidade é um termo entre os comportamentos ou estados que abrigam o termo transgênero. Entretanto muitas pessoas da comunidade transexual não se identificam como transgênero que se refere a pessoas cuja expressão de gênero não corresponde ao papel social atribuído ao gênero designado para elas no nascimento. Mais recentemente o termo tem sido utilizado para definir pessoas que estão constantemente em trânsito entre um gênero e outro. O prefixo trans significa “além de”, “através de”.Não existe cientificamente nada que prove quais são as causas da transexualidade. Todavia, muitas teorias sugerem que as causas têm suas raízes na biologia e outros acreditam que as origens são 
predominantemente psicológicas.    

Dentre as causas psicológicas temos mães superprotetoras e pais ausentes, pais que almejavam uma criança do sexo oposto e homossexualidade reprimida.              
Em termos de individualidade ou essência, qualquer ser humano possui o gênero masculino e o gênero feminino dentro de si. No campo da sexualidade, temos muito ainda que pesquisar e estudar e definir realmente o que está por trás desses desejos sexuais e principalmente da “variedade” de orientações sexuais. Mas até lá o importante é que, qualquer que seja a orientação sexual dessas pessoas, como qualquer outro ser humano, elas merecem compreensão e são muito mais que um rótulo e que podem e devem ter uma vida comum como todos nós.               

Nosso objetivo é trazer para o conhecimento do público temas atuais em Psicologia. Aqui você encontrará artigos sobre Psicologia Hospitalar e da Saúde, Psicologia do Esporte, Psicopatologia, Stress e TCC. Escolha na barra ao lado o(s) tema(s) que você gostaria de ler e fique à vontade!


Terapia Cognitivo-Comportamental


O que é e Como Funciona
 A terapia cognitiva é considerada a psicoterapia mais eficaz para diversos tipos de transtornos, incluindo Depressões, Fobias, Transtorno de Pânico, Transtorno Obsessivo-Compulsivo, Dependência Química, Anorexia Nervosa, Bulimia Nervosa, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, dentre outros (American Psychological Association, 1998), sendo que, por ser um tratamento breve e focal, tem como uma de suas principais características o tempo de tratamento reduzido.
É originária das terapias comportamentais tradicionais, se diferenciando delas pela introdução do aspecto mediacional das cognições no comportamento humano. Tal movimento foi iniciado nas décadas de 60 e 70 por Aaron T. Beck, considerado o pai da Terapia Cognitivo Comportamenal (TCC). A abordagem é marcada pelo empirismo, tendo sido exaustivamente testada e pesquisada nos últimos 20 anos.
Dentro da TCC existem cerca de 20 abordagens diferentes nos modelos cognitivo e cognitivo-comportamental, dentre essas está  a Terapia Cognitiva de Beck, a terapia racional-emotiva de Albert Ellis, a terapia dos esquemas de Jefrey Young, etc. Todas as terapias cognitivo-comportamentais compartilham alguns pressupostos:
· A atividade cognitiva influencia o comportamento
· A atividade cognitiva pode ser monitorada e alterada
· O  comportamento desejado pode ser influenciado mediante a mudança cognitiva
A TCC foca sua atenção na identitificação e alteração de pensamentos conscientes e inconscientes com o objetivo de reestruturar a visão do indivíduo sobre certas questões, bem como modificar comportamentos que possam estar sendo mediados por pensamentos disfuncionais.

A quem se destina

A psicoterapia cognitivo-comportamental é aplicável a uma série de questões e problemáticas, sendo notadamente eficaz em transtornos como depressão, transtornos alimentares, stress e transtornos de ansiedade como, por exemplo, o transtorno obssessivo compulsivo (TOC) e fobias diversas. Além disso a abordagem pode ser utilizada para o autoconhecimento, bem como para aspectos mais pontuais, como preparação para concursos e orientação de carreira (coaching).
A psicoterapia cognitivo-comportamental é indicada para pessoas que facilmente se adaptem a participar do processo terapêutico ativamente, realizar tarefas de casa e, sobretudo, que tenham disposição para a mudança. Se você cumpre os requisitos mencionados, o tratamento psicoterápico em TCC poderá auxilia-lo  a se conhecer e a implementar mudanças na sua vida que melhorem o seu bem-estar e qualidade de vida.

Como o trabalho é estruturado

Os atendimentos em TCC podem ser realizados individualmente ou em grupo, de acordo com a demanda e o problema apresentado, podendo ser combinados com tratamentos farmacológicos. Em geral as sessões individuais têm 50 minutos de duração e se caracterizam pelo trabalho conjunto entre terapeuta e paciente, de forma diversa de outras abordagens, o terapeuta cognitivo-comportamental é bastante ativo durante a sessão, assim como o paciente. A TCC é marcada pelo foco no aqui e agora, pela atividade do terapeuta e do pacientes nas sessões e pela brevidade e objetividade do tratamento


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